CVE-2026-104935 é uma falha de bypass de autenticação e execução remota de código no Ivanti Connect Secure, o gateway de VPN SSL que muitas empresas usam para acesso remoto. A Volexity, empresa de inteligência de ameaças que descobriu os ataques, mostrou que os invasores a encadearam com uma segunda vulnerabilidade de elevação de privilégios, ainda sem patch, para executar código como root em um equipamento com a versão mais recente disponível na época, a 22.8R2.4.
Segundo a Volexity e o SecurityWeek, a exploração começou em 3 de outubro de 2026. A Volexity iniciou a investigação em 5 de outubro e publicou as conclusões em 13 de outubro, mesmo dia em que a Ivanti lançou os patches e a CISA incluiu a falha em seu catálogo de vulnerabilidades exploradas conhecidas. A Volexity rastreia o ator como UTA0576, um grupo até então desconhecido, e avalia com baixa confiança que a motivação é criminosa, e não espionagem.
Por que isso importa além dos clientes da Ivanti? Um concentrador de VPN fica na borda da rede, encerra as sessões criptografadas de todos os funcionários remotos e normalmente guarda credenciais do diretório corporativo. Se ele é comprometido, não se ataca um servidor isolado: o invasor fica dentro do perímetro de confiança com uma conta de serviço capaz de consultar o Active Directory. Para CIOs e gestores de TI, é a quarta emergência com equipamentos de borda em poucas semanas, e a lição é sempre a mesma: o acesso remoto exposto à internet é a porta de entrada mais atraente para a sua rede.
Por que esta campanha é diferente de um ciclo de patches comum? Porque os invasores estavam à frente do fabricante e porque as redes de segurança habituais não os detectaram.
Segundo a análise da Volexity, o equipamento da vítima estava totalmente atualizado e, mesmo assim, os invasores obtiveram root. Três detalhes se destacam para quem defende:
O segundo desafio é o que eles buscavam. A Volexity descreve o ator coletando as credenciais de domínio armazenadas no equipamento, consultando o Active Directory por senhas LAPS e chaves de recuperação do BitLocker, tentando Kerberoasting e password spraying e executando uma ferramenta de captura de pacotes renomeada para coletar material LDAP, HTTP Basic e NTLM em texto claro. Ou seja, a VPN serviu de plataforma de lançamento para obter segredos que abrem o restante do ambiente.
Por fim, a etapa de elevação de privilégios não tinha CVE nem patch quando o relatório foi publicado. A Ivanti afirmou que a correção virá em uma próxima versão, de modo que aplicar o patch hoje fecha a porta de entrada, mas não aposenta toda a cadeia.
Como funciona a cadeia de exploração do Ivanti Connect Secure? A Volexity descreve quatro etapas. Primeiro, uma requisição manipulada à página welcome.cgi, com o cabeçalho X-DSCGI-PATH alterado, contorna a autenticação e chega a um manipulador interno de uploads. Segundo, uma condição de corrida nesse manipulador permite que um script Perl enviado seja executado antes da validação do arquivo, resultando em execução de código com a conta do serviço web. Terceiro, scripts em estágios são entregues e executados na memória. Quarto, os invasores modificam o processo em execução e abusam de uma tarefa agendada para executar código como root, restaurando depois as alterações para esconder o que fizeram.
O que fazer agora? Trate isto como um incidente até que se prove o contrário:
Planeje também o longo prazo: a Volexity e outras fontes apontam que a linha 22.8 chega ao fim de vida em 31 de janeiro de 2027, portanto a migração para a linha 25.1 já deve estar no seu roadmap.
Por que as empresas precisam repensar a VPN tradicional? Porque o padrão se repete: um gateway exposto à internet com acesso profundo à rede, uma falha explorada antes de existir patch e invasores que passam da borda ao diretório em poucas horas.
Migrar do acesso VPN amplo em nível de rede para o acesso à rede com confiança zero (ZTNA) muda a economia do invasor. Em vez de cair em uma rede interna plana, um usuário, ou um invasor com credenciais roubadas, recebe acesso a uma aplicação por vez, após verificações de identidade e de dispositivo. Há menos o que roubar em um único equipamento e o raio de impacto do próximo zero-day é menor. Combinando isso com uma rede gerenciada e multioperadora, obtém-se conectividade resiliente sem deixar um grande concentrador exposto como única porta de entrada.
Os benefícios para o negócio são concretos:
A HIT Communications tem mais de 30 anos de experiência construindo e operando redes corporativas na América Latina, nos Estados Unidos e na Europa, e vemos a mesma prioridade em todas as regiões: o acesso remoto precisa ser rápido e, ao mesmo tempo, defensável.
Nossos serviços gerenciados de cibersegurança incluem um SOC 24/7 com SIEM e detecção e resposta gerenciadas (MDR), de modo que atividades suspeitas em equipamentos de borda, como requisições de autenticação incomuns ou consultas de credenciais ao Active Directory, sejam investigadas por analistas, e não fiquem em um log que ninguém lê. Ajudamos você a construir os playbooks de caça e resposta a incidentes descritos acima e apoiamos arquiteturas de confiança zero que reduzem a dependência de um único gateway de VPN.
Na rede, nossas soluções de conectividade multioperadora e SD-WAN combinam internet dedicada, SD-WAN e segurança no estilo SASE para que usuários remotos e de filiais cheguem às aplicações por caminhos controlados e redundantes. E, com nossos serviços gerenciados de TI, assumimos o trabalho pouco glamoroso que evita emergências: inventário de ativos, gestão de patches com SLAs claros, backup e planos de recuperação.
Se o seu equipamento Ivanti ficou exposto entre o início de outubro e a publicação do patch, podemos ajudar a avaliar se é caso de investigar, reconstruir e trocar credenciais, e depois desenhar um modelo de acesso remoto mais difícil de violar.
O zero-day do Ivanti Connect Secure mostra que uma VPN totalmente atualizada não é necessariamente uma VPN segura. Os invasores exploraram uma falha desconhecida, não deixaram malware, apagaram logs e foram direto às credenciais que abrem o Active Directory. As ações imediatas são claras: aplicar o patch, procurar os indicadores documentados, usar forense e não apenas o verificador de integridade, reconstruir se houver suspeita de comprometimento e trocar todos os segredos que o equipamento alcançava.
A ação estratégica é reduzir a quantidade de confiança concentrada em um único dispositivo exposto à internet. Faça o inventário dos seus equipamentos de borda, defina SLAs de patches medidos em dias, monitore-os como servidores críticos e avance para o acesso por aplicação.
Se quiser uma visão especializada da sua exposição em acesso remoto, fale com a equipe da HIT Communications e ajudaremos você a transformar este aviso em um plano concreto.

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