A campanha "Poisoned Source" é uma operação de watering hole em larga escala, atribuída com confiança de moderada a alta ao grupo APT29, ligado à Rússia, que infecta iPhones e celulares Android apenas porque o usuário abriu uma página web. A empresa francesa Sekoia a descobriu em meados de outubro de 2026. Em 4 de novembro de 2026, a CISA incluiu uma das falhas da Apple usadas nela, a CVE-2024-27834, no catálogo de vulnerabilidades exploradas conhecidas (KEV).
Um ataque watering hole coloca código malicioso em sites que o público-alvo já visita, em vez de enviar um e-mail de phishing. Aqui os atacantes usaram três caminhos: sites legítimos comprometidos, domínios falsos que imitam sites conhecidos e um ataque à cadeia de suprimentos do script de analytics Plerdy SEO Tracker, que foi alterado entre 27 de agosto e 3 de setembro de 2026. Um único script em que muitos sites confiam virou um sistema de distribuição.
Por que um CIO deveria se importar com uma campanha que parece mirar visitantes específicos de alto valor? Porque as ferramentas importam mais que os alvos. A Sekoia observa que kits de exploits prontos, como o DarkSword, reduzem o custo e a habilidade necessários para ataques móveis avançados, e outros pesquisadores relatam que o kit relacionado Coruna vazou e hoje é usado por vários atores. Técnicas que nascem na espionagem raramente ficam nela. Executivos, equipes financeiras e times de campo navegam em celulares que guardam e-mail corporativo, chat e sessões de login único, então um celular comprometido é uma identidade comprometida. É exatamente a exposição que um programa de cibersegurança maduro precisa cobrir.
A lição central é que os atacantes não estão usando zero-days novos, e sim falhas que os fabricantes já corrigiram, contra dispositivos que nunca foram atualizados. A CVE-2024-27834 é um bypass de autenticação de ponteiros de severidade média (CVSS 5,5) no software da Apple que a empresa corrigiu em maio de 2024. Mesmo assim, entrou no catálogo KEV em novembro de 2026 porque está sendo explorada ativamente. As agências federais dos Estados Unidos têm até 18 de novembro de 2026 para aplicar o patch.
A Sekoia identificou três classes de exploits na campanha. A primeira mira iPhones com iOS 16.7 e encadeia a CVE-2025-43529 com a CVE-2024-27834 para roubar cookies do navegador. A segunda mira o iOS 18.5 com a cadeia DarkSword, que vai muito além e extrai mensagens, bancos de dados de e-mail, dados de WhatsApp e Telegram, o chaveiro, senhas de Wi-Fi, fotos e mais. A terceira mira Android com versões do Chrome de 139 a 145 e entrega uma carga chamada AndroSnitch, que coleta dados do Chrome e senhas de Wi-Fi.
Campanhas paralelas pioram o quadro. Uma operação criminosa chamada DeadTag compra domínios expirados que tags antigas de analytics e publicidade ainda carregam e, com mais de 660 deles, serve exploits a visitantes com iPhone. A Zimperium contou 608 domínios entregando código da família Coruna em outubro de 2026. Scanners de segurança e bots não recebem nada, por isso essas páginas são difíceis de achar com a filtragem web tradicional.
Três realidades corporativas transformam isso em risco concreto:
Para o usuário, o ataque é de zero clique: abrir uma página basta, sem nada para tocar, baixar ou aprovar. Conforme a descrição da Sekoia, a sequência é:
O roubo de cookies merece atenção especial. Um cookie de sessão roubado permite agir como o usuário sem saber a senha e sem acionar um pedido de autenticação multifator, o mesmo mecanismo por trás de muitos sequestros de contas do Microsoft 365. Um celular explorado em silêncio vira, assim, acesso a e-mail, ferramentas de colaboração e aplicações em nuvem.
Defender-se exige enxergar o que acontece depois do exploit, e não só antes. Um SOC 24/7 com SIEM e MDR pode sinalizar uma sessão que surge de repente em outro país, um token reutilizado em outro dispositivo ou um padrão de viagem impossível, e cortá-la em minutos.
Uma frota móvel atualizada, monitorada e segmentada reduz a chance de uma sessão roubada virar um incidente de negócio. Os passos práticos e seus benefícios são:
O resultado são menos comprometimentos bem-sucedidos, contenção mais rápida quando um acontece e uma resposta mais clara para auditores e executivos que perguntam se os dispositivos móveis estão cobertos pelo programa de segurança.
A HIT Communications tem mais de 30 anos de experiência conectando e protegendo empresas na América Latina, nos Estados Unidos e na Europa. A exploração móvel atinge várias camadas ao mesmo tempo, por isso as combinamos em uma única equipe responsável.
Nossos serviços de cibersegurança incluem operações de segurança 24/7 (SOC), SIEM e detecção e resposta gerenciadas, com foco em abuso de identidades e sessões. Nossos serviços gerenciados de TI cobrem gestão de dispositivos, patches, infraestrutura em nuvem e backup, para que sua frota fique atualizada e recuperável. Nosso desenho de conectividade multioperadora, com SD-WAN e acesso seguro gerenciado, oferece política consistente em filiais, data centers e usuários remotos.
Se você não tem certeza de quantos celulares de funcionários rodam software desatualizado, ou quais scripts de terceiros carregam nos seus sites públicos, esse é o melhor ponto de partida.
A campanha "Poisoned Source", ligada ao APT29, mostra que vulnerabilidades antigas e já corrigidas continuam perigosas enquanto os dispositivos não forem atualizados, e que um único script confiável pode alcançar milhares de visitantes. A inclusão da CVE-2024-27834 no catálogo KEV da CISA confirma que a exploração é real e atual.
Nesta semana, verifique as versões de sistema e navegador da sua frota móvel, bloqueie os dispositivos desatualizados, revise os scripts de terceiros nos seus sites e garanta que alguém monitore sessões roubadas 24 horas por dia. Se quiser apoio para avaliar sua exposição, fale com a equipe da HIT Communications e revisaremos seu ambiente junto com você.

Descubra como podemos transformar o seu negócio. Fale com um dos nossos especialistas agora!
Entre em contato